18.07.09 Na última quarta-feira foi realizado em Santa Cruz do Sul (RS), o lançamento da cartilha “Soberania Alimentar na Agricultura Familiar”, que apresenta os principais resultados do projeto “Capacitação de jovens rurais para a promoção da soberania alimentar e desenvolvimento social na região do Vale do Rio Pardo”. A parceria para viabilizar o projeto ocorreu entre o Cedejor (VRP), a Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS) e a Associação Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) Rio Pardo.
A cartilha com pequenos textos e muito ilustrada traz relatos sobre o desenvolvimento do projeto e as mudanças que ocorreram nos jovens e seus familiares em relação à diversificação e aproveitamento de alimentos. Ressalta ainda os cuidados necessários para a criação de horta e pomar doméstico, a importância de uma alimentação saudável e receitas com aproveitamento integral de hortaliças e frutas.
Leomar Mattia, coordenador do Cedejor(VRP), comenta que este projeto surgiu durante visitas realizadas às famílias dos jovens do Programa Empreendedorismo do Jovem Rural (PEJR) em 2007, quando os educadores identificaram que os agricultores estavam produzindo poucos alimentos para seu consumo. “Percebemos que a alimentação das famílias era muito precária, tanto em qualidade, quanto em diversidade de produtos”. Então aproveitamos edital do MEC sobre o tema para junto com a UERGS idealizar o projeto.
Magnólia Silva, professora da UERGS e coordenadora geral do projeto, ressaltou a relação histórica da monocultura de fumo da região. “Quando a gente pensa neste monocultivo, associamos diretamente à diminuição da base alimentar destas famílias, pois elas deixam de plantar alimentos, deixam de fazer suas hortas e de produzir outros alimentos de subsistência em função da atividade econômica principal”, afirma.
Aprendizado e satisfação
Através das atividades do projeto as famílias ficaram mais conscientes sobre a importância de produzir e consumir alimentos saudáveis. Muitas famílias melhoraram ou fizeram suas hortas e pomares, participaram em
cursos para aproveitamento integral dos alimentos, e nas refeições foi possível degustar pratos coloridos, mais nutritivos e saborosos. “No início, era meio estranho comer cascas e folhas. Na família, comíamos basicamente feijão, arroz e alguma salada. Agora temos refogados coloridos e maior diversidade. Os pratos ficaram mais bonitos e gostosos. Inclusive, estamos repassando este conhecimento para outras famílias e para a comunidade. Até as escolas estão mudando o cardápio. Fica mais colorido para as crianças”, ressalta Juliana Soares, jovem do Cedejor que participante no projeto.
“Tivemos a valorização da horta como uma parte importante da propriedade e o aumento da produção para o consumo próprio. As famílias começaram a perceber que além de produzir para subsistência, poderiam inclusive vender o excedente, aumentando sua renda”, afirmou a professora Magnólia. Foi o que aconteceu com o jovem Alison Boeck, que passou a plantar frutas e verduras, que estão sendo vendidas na feira do município de Candelária, onde vive com a família.
Na avaliação de Magnólia, o projeto teve o grande mérito de contribuir para sensibilizar as famílias para a importância de produzir e consumir alimentos saudáveis. O fechamento com a publicação da cartilha também foi muito gratificante. “Acredito que são as parcerias entre as instituições que fazem mudar as realidades, principalmente destes jovens do Vale do Rio Pardo. As portas da universidade estão abertas para o estabelecimento de novas parcerias e desenvolvimento de outros projetos com o Cedejor”, concluiu Magnólia.