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Seminário de juventudes para o desenvolvimento

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07.10.09  Ontem quatorze jovens apresentaram seus projetos elaborados para desenvolverem suas propriedades. Isso! Aparentemente era um projeto daqueles para melhorar a propriedade através da diversificação ou implementação de novas culturas. Para muitos, essa era a expectativa para o dia, ouvir os jovens falarem de técnicas agrícolas. Isso mudou logo que o prefeito de Sobradinho saudou os participantes do evento e a educadora Adriana Boer passou a palavra para os jovens iniciarem a apresentação de seus trabalhos, o dito Projeto do Jovem Empreendedor Rural (PEJR), que os jovens apresentam após dois anos de estudo no Cedejor.

Resgate histórico
Estefano Ricardo Arcari de 21 anos, morador de Serrinha Velha (Segredo) iniciou apresentando seu projeto sobre suinocultura. Os que esperavam que Estafano fosse falar logo sobre criação de suínos tiveram que aguardar um pouco mais. O Jovem iniciou sua fala falando do passado, da origem de sua família. Disse que a primeira geração de sua família foi marcada por pobreza e dificuldade em todos os sentidos, falta de cultura , condição financeira e comunicação. Apesar disso acreditavam ter uma vida boa e sentiam-se bem vivendo desse modo, em harmonia com o meio ambiente.

Na segunda geração começou a se acentuar uma transformação social. Naquela época o trabalho era braçal e posteriormente foi introduzido a tração animal (burro e mula). Isto fez com que eles aumentassem sua produção agrícola tendo como base o milho, trigo, feijão, hortaliças, fumo em corda e animais, possibilitando a eles a troca de produtos que não poderiam ser produzidos na propriedade (querosene, sal, pimenta, vestuário, café).

Já a terceira geração deu início a um novo ciclo, a evolução associada a modernização. Dois pontos fundamentais foi sentido na propriedade: 1º a mecanização total da lavoura e 2º o emprego elevado do uso de produtos químicos. Aumentou a produção e o custo produtivo.  Baseado em todos esses dados, a quarta geração buscou novas alternativas, como o cultivo orgânico. A partir dessa idéia foram construídos na propriedade, um estábulo com coletor de esterco para compostagem e também um minhocário no sistema de rotação. Também procuramos fazer o replante de árvores nativas.

O jovem Estefano destacou como pontos fortes de sua propriedade a auto suficiência alimentar, a diversificação de cultura, o uso do plantio direto, a produção orgânica de alimentos, rotação de cultura, preservação das matas e a união da família. Manifestou os desafios encontrados na pequena propriedade e como vem procurando alternativas para viabilizar seu projeto de vida com a família no campo.

O debate
Os jovens apresentaram projetos de melhoria da propriedade, criação de animais, piscicultura, fruticultura, apicultura, entre outros, mostrando além de conhecimento técnico e gerencial, desenvoltura nos debates e conscientes sobre dos desafios e possibilidades de suas escolhas.

Desta forma, após a apresentação de cada jovem houve o espaço para perguntas e contribuições. Técnicos da Emater, representantes de Sindicatos de Trabalhadores Rurais, vereadores, secretários de agricultora, representante do território do MDA, demais jovens e agricultores levantavam questões muito importantes acerca da realidade da região e sobre as provocações trazidas pelos jovens.

Neste sentido o Seminário de juventudes para o desenvolvimento atendeu seu objetivo de mostrar o potencial dos jovens e convocar a comunidade para se inserir nessa construção coletiva, para possibilitar que o desenvolvimento seja pensado de forma conjunta e que os jovens possam, como frisou o educador Rodrigo Sasso, “não ser preparados para ter trabalho qualificado no futuro. Mas que os jovens tenham espaço e possam ser ouvidos  na formulação de suas demandas e no potencial que podem oferecer desde agora. As políticas não precisam necessariamente serem pensadas para os outros, mas com os outros, desde sua concepção.”

Priscila Savedra que veio de Cachoeira do Sul para falar de seu projeto “reciclando para brincar”, mostrou acima de tudo sua trajetória de comprometimento, de moça do campo que conhece a realidade além de sua propriedade. “Eu elaborei esse projeto porque creio que através dele é possível resgatar brincadeiras antigas com as crianças, fazendo com que eles não fiquem tão tristes por não terem em casa um vídeo game ou algum outro brinquedo. Com esse projeto elas poderão construir seus brinquedos, e outra coisa, no meio rural , na minha região, todos moram longe e a escola é um dos poucos momentos que as crianças mais convivem com outras pessoas. Mas chegando na escola as professoras estão apavoradas em passar conteúdos que precisam ser passados, conteúdos que vem prontos  e que muitas vezes não contemplam a realidade dessas crianças”, argumentou Priscila.

* Por Jovani Augusto Puntel.

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