10.02.11 Na pauta do programa de formação pedagógica das equipes do Cedejor esta acontecendo a elaboração do Plano de Formação para a formação dos jovens rurais. Orientados pela Coordenadora Pedagógica Zeni Ferreira, os educadores das quatro equipes de educadores estão mergulhados no estudo da Nova Unidade Politico-Metodológica do Programa de Empreendedorismo do Jovem Rural (PEJR) que passa a ser aplicado pelo Cedejor, em seu novo formato e com a duração de um ano, nos três Estados Sulinos.
Na abertura do encontro o Gerente Executivo do Cedejor Sr. Sergio Biron mencionou as mudanças que estão ocorrendo na instituição em relação ao ano de 2010, e que em grande parte resultam de um planejamento construído a partir de 2009 e de definições internas de determinados procedimentos. As mudanças mais significativas serão:
a) pluralidade de projetos executados em comum por todos os núcleos, como o “Rede Chão de Sonhos” em parceria com a OI Novos Brasis; o projeto “Jovens Rurais em Movimento” em parceria com o MDA; além da continuidade do Programa de Empreendedorismo do Jovem Rural, cuja a implementação completará 10 anos junto com o Cedejor;
b) teremos a experiência de trabalhar com uma Coordenadora Pedagógica, a Zeni Ferreira de Oliveira de Santa Catarina, que pertence a uma equipe de educadores, fato que obedece à política de aproveitar ao máximo o potencial das pessoas que já atuam no Cedejor,
c) teremos a coordenação - administrativa e pedagógica - compartilhada de 2 núcleos no Paraná, em dois territórios distintos, o Centro-Sul e o Caminhos do Tibagi;
d) mudanças na estrutura física dos núcleos das Encostas da Serra Geral com a aquisição de novos computadores e no Vale do Rio Pardo com a instalação de uma nova antena de internet, ambos com recursos da OI Novos Brasis. Estas se destacam no conjunto de mudanças previstas.
Biron destaca ainda o investimento feito nas pessoas que atuam no Cedejor, educadores, estagiárias, auxiliares, Jovens Agentes de Desenvolvimento Rural (ADRs) através de capacitações, ações de suporte para o desenvolvimento de cada função e através do incentivo ao empreendimento de novas ações. Adotamos a chamada “tolerância responsável ao erro”, ou seja, estimulamos a pró-atividade e juntos, gerência e profissionais avaliamos os erros ocorridos e maximizamos os acertos. Neste ano a expectativa é que as equipes estejam melhor preparadas para definir seus rumos, planejar suas ações, prever os possíveis gargalos de cada empreendimento, consigam vislumbrar as saídas para as dificuldades e inovar em todas as ações correlatas ao seu cotidiano. A criatividade e inovação serão a tônica do trabalho, uma vez que enfrentamos a dificuldade, cada vez maior, de alcançar e trabalhar junto com a juventude rural, que em grande parte vem optando pela saída do campo ou se encontra desanimada para empreender e se desenvolver no ambiente rural. A motivação das equipes pela causa da juventude rural e pelo desenvolvimento territorial nos motiva a continuar buscando alternativas para atuar com a juventude.
Diante desta realidade o Cedejor necessita ampliar sua visibilidade e ampliar parcerias, e para isto conta com uma parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no desenvolvimento de sua Política de Comunicação. Alcançar outros patamares da sociedade, por exemplo o empresariado, é um dois desafios.
Diante das mudanças na realidade da juventude rural, maior oferta de emprego nos centros urbanos, abertura de cursos técnicos pós-médios e a apatia de grande parte dos jovens para o empreendimento de ações com potencial de alterar sua condição de vida, um dos desafios é o estudo de tendências e cenários para a juventude rural para definirmos que ações o Cedejor pode tomar em termos de ações para romper com esta situação de inércia nos territórios que atua. A idéia é que estas discussões sejam feitas com o auxílio de pessoas comprometidas com as questões do desenvolvimento rural, como professores das universidades, pesquisadores e consultores.
Outro aspecto que estamos dando muita atenção são os estudos sobre a forma de viabilização do Cedejor em longo prazo, repensando as suas formas de funcionamento, sua estrutura, suas relações institucionais e sua gestão. Estes desafios demonstram a vontade do Cedejor de não se acomodar diante das novas realidades que emergem a cada momento e de não confiar cegamente nas fórmulas de sucesso obtidos ao longo do tempo, sempre buscando fazer diferente e de forma mais eficiente.
Além das oficinas de planejamento das seqüências presenciais, as equipes estão aperfeiçoando a aplicação dos instrumentos da Pedagogia da Alternância, formas de registro e avaliação do processo de formação. O jovem Alison Boeck concluiu sua formação de ADR em 2009 e desde lá passou a dividir seu tempo entre as atividades de produção na sua Unidade Familiar e a dedicação como educador no Cedejor atuando 16hs semanais. Para ele “esta semana esta sendo muito importante, pois estou estudando e vendo o plano de formação para o ano todo e percebendo como vou contribuir. Nesta semana também nos reunimos para pensar no acampamento da Juventude Rural, então tem muita coisa acontecendo.”
Na noite desta quinta-feira houve um momento de confraternização com a participação de Conselheiros do Cedejor, educadores e jovens ADRs. Na oportunidade as equipes dos outros estados puderam conhecer o Sr Beno Petry, que doou o terreno para a construção do Cedejor em Albardão. Ao se pronunciar, o Sr Petry, de 80 anos, disse que “ao pensar na doação do terreno para a construção do espaço físico do Cedejor fiz muito bem as contas. Bem, deixei de plantar nesta área, mas se pensar bem, as sementes dos produtos tem tanta terra para plantar, mas a semente do Cedejor, se não fosse plantada neste pedaço talvez iria ser plantada bem longe daqui, e era preciso que essa plantação acontecesse aqui, então fiz a escolha certa. Agora tem muitas sementes sendo cultivadas aqui, são muitos jovens que tem oportunidade de estudar aqui, e estas sementes vão sendo espalhadas em outras terras também.”
* Por Jovani Puntel