A primeira Conferência Municipal de Juventude resultou em dezenas de propostas para que o poder público atenda a demandas desse público. Aumentar as oportunidades de estágios e trabalho, ampliar oferta de espaços de lazer e oferecer transporte adequado a quem vive no interior foram as proposições que mais se destacaram, especialmente entre os jovens rurais que participaram do evento nesta quarta-feira (24), durante todo o dia, no auditório da Secretaria de Educação.
Ao todo, 102 jovens, a maioria estudantes dos quatro colégios municipais da cidade e dos distritos, reuniram-se para pensar ações que devem ser desenvolvidas em prol da juventude. Além deles, outros 41 profissionais da educação acompanharam as atividades que culminaram com a eleição de propostas e de delegados para representar o município na Conferência Estadual, que será no mês de outubro em Maringá. O próximo passo será a versão nacional do evento, em dezembro, na capital federal.
Uma das propostas que de imediato será implementada é a criação de um Conselho Municipal da Juventude. A ideia foi lançada pelo prefeito Sinval Silva (PMDB) e aprovada em plenária pela maioria dos jovens. “Eles pediram também por mais espaços de discussão como a Conferência e o Movimento Tibajovens. O Conselho será articulador dessas propostas e encontros”, comenta Rita Maristela Ribeiro, secretária de Gestão e Planejamento da Prefeitura.
As sugestões foram pautadas no sentindo de construir e fortalecer a Política Nacional de Juventude e garantir a ampliação dos direitos que serão definidos no Estatuto da Juventude. Em Tibagi, o foco principal ficou sobre as intenções dos jovens rurais.
O tema central da Conferência seguiu orientação nacional: “Juventude, Desenvolvimento e Efetivação de Direitos” e contemplou cinco eixos temáticos: direito ao desenvolvimento integral, inclusão e autonomia através da educação, trabalho decente, cultura e comunicação; direito ao território, abrangendo questões ligadas à cidade e campo, transporte, meio ambiente e comunidades tradicionais; direito à qualidade de vida, com propostas referentes à saúde, esporte, lazer e tempo livre; direito à vida segura, que apontou ações em segurança, valorização e respeito à diversidade e direitos humanos; direito à participação e ao poder, com participação juvenil, políticas públicas de juventude como Política de Estado e orçamento.
Na abertura do encontro, o Grupo de Percussão Afro Oxalufã, de alunos do Colégio Leopoldina, surpreendeu mais uma vez com o forte batuque na interpretação livre do Hino Nacional. Outras apresentações culturais, como de Hip Hop, fizeram parte da programação que teve interatividade garantida pelos apresentadores Peter Allan Oliveira, Hallorino Júnior e Adriele Martins.
Para estimular a discussão sobre os eixos temáticos, três palestrantes apresentaram experiências relativas aos direitos ao desenvolvimento integral, inclusão e autonomia, ao território, à qualidade de vida, à vida segura e à participação e ao poder.
Militância
O prefeito Sinval Silva (PMDB) relatou sua vivência como militante juvenil de entidades estudantis como Centro Acadêmico e União Nacional dos Estudantes no período em que estas organizações combatiam a ditadura. “Se fosse para escolher uma grande bandeira hoje que une os jovens, essa bandeira seria o meio ambiente”, defendeu Sinval, realçando a importância da união dos jovens para a criação de políticas específicas.
Quanto ao território, Sinval realçou que o espaço rural ainda não apresenta atrativos ou condições para a permanência dos jovens. “A taxa de analfabetismo é elevada, três vezes maior que na cidade”, pontuou. No entanto, ele argumentou que o campo pode ser espaço gerador de riquezas materiais e culturais e que é urgente criar condições ideais de permanência dos jovens para a sucessão familiar na agricultura.
Por fim, Sinval defendeu a participação dos jovens na política e ressaltou que há poucos candidatos jovens a cargos públicos. “Jovens precisam ser vistos como sujeitos de direitos e agentes estratégicos de desenvolvimento com potencial criativo e não somente uma faixa etária de transição”, disse.
Prevenção
O professor de física do Colégio Sepam, de Ponta Grossa, Nelson Canabarro, participou da Conferência para dividir com os jovens sua experiência à frente do projeto Menarca, em que meninas são protagonistas de ações de prevenção à gravidez na adolescência. O projeto é reconhecido em todo o país e premiado até pela Organização das Nações Unidas. Para Canabarro, a energia e a alegria das adolescentes são os fatores que fazem a diferença. “Educação, cultura, trabalho e comunicação: estes quatro elementos estão baseados na escola e a escola tem de ser viva”, defendeu o professor.
Canabarro também abordou o eixo sobre o direito à experimentação e à qualidade de vida e afirmou que saúde, esporte, lazer e uso educativo do tempo livre são fundamentais. “Todos os crimes de que participo de júri popular têm elementos comuns: juventude desocupada, álcool e drogas. Essas três coisas juntas geram um monte de crimes”, indicou.
Segurança
O tema direito à segurança foi abordado pelo comandante do Posto de Bombeiros Comunitários de Tibagi – Defesa Civil, sargento Antonio Adonir Portela. Ele elencou ações que devem ser desenvolvidas para evitar a violência entre os jovens e falou sobre vandalismo, drogas e bulliyng realçando o papel da família na prevenção. “A escola deve sim educar, mas antes da escola é preciso que a família seja o núcleo dessa educação. É dentro de casa que a prevenção a violência tem que começar”, pontuou.
Portela apresentou o quadro atual da juventude brasileira na criminalidade e destacou que a maioria entre as pessoas com envolvimento criminal ou em cumprimento de execução penal é de jovens.
Impressões
Para Andrelise Faustin, agente de desenvolvimento rural que representava o Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural (Cedejor) no evento, a participação ativa dos jovens na tomada de decisões é fundamental. “Eu era bem tímida, quase não falava, tinha vergonha de tudo. Agora converso com qualquer pessoa sobre os assuntos que são do interesse da comunidade. Antes eu não gostava de participar, agora troco experiências e aprendo mais”, descreveu a moradora rural.
Junior Marcondes Ribeiro, aluno do Colégio Leopoldina, acompanhou uma conferência pela primeira vez e ficou surpreso com o envolvimento dos jovens. “Um futuro melhor depende de nós mesmos. Precisamos nos juntar para surgirem mais ideias. A conferência é legal porque a gente aprende e tem a oportunidade de decidir juntos”, revelou.
Do distrito de Caetano Mendes, Angélica Florão Guimarães também estreou numa conferência. Ela aprovou a interação entre os jovens. “Eu tenho planos e preciso correr atrás, quero estudar e ajudar muito se puder. Fica mais fácil se todos colaborarem”, frisou.
Úrsula Carraro, representante do Núcleo Regional e da Secretaria de Estado da Educação, acompanhou a conferência e destacou que Tibagi é uma das poucas cidades que realizou o evento. “Em alguns municípios não serão efetivadas conferências e nós ficamos contentes em ver o trabalho anterior de pré-conferências que já resultou em propostas formalizadas aqui. É uma oportunidade da qual não podemos abrir mão”, discursou.
Para o secretário de Urbanismo e Obras Públicas o evento foi também de celebração. “Nos meus dois primeiros anos de estudos eu andava dez quilômetros de bicicleta para chegar à escola todo dia”, relembrou Rildo Leonardi ao acentuar os avanços na educação. “Vocês é que vão fazer a diferença de Tibagi a partir de hoje para um futuro melhor”, declarou.
Pré-conferências
Os mais de 100 jovens envolvidos na Conferência já chegaram ao evento preparados. Eles analisaram as 90 proposições feitas em nível nacional e elaboraram solicitações locais durante pré-conferências realizadas nos colégios. Além disso, a maioria já participa do Tibajovens no Movimento Nós Podemos Tibagi.
* Fonte: Prefeitura de Tibagi – Assessoria de Comunicação
Texto: Emanoelle Wisnievski
Imagens: Christian Camargo
Publicada em 26/08/2011