28.09.09 O presente artigo foi elaborado durante o Programa de Iniciação Científica do Artigo 170 – PIC 170, realizado entre períodos de abril de 2008 a março de 2009, na Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, Criciúma – SC, Brasil. Este tem por objetivo investigar o papel exercido pela família no processo de formação do jovem a partir da experiência do Cedejor. Analisa ainda, como o jovem percebe a influência da família na sua permanência no meio rural e a integração do jovem no seu projeto de vida.
A metodologia adotada para desenvolver a pesquisa foi a qualitativa, utilizando como instrumento para o levantamento das informações a observação participante e a entrevista semiestruturada individual. As características dos jovens da turma estudada do Cedejor são predominantemente do sexo masculino. Ao todo são 23 jovens. Destes, oito são do sexo feminino, com idades que variam de 17 a 27 anos.
Os resultados obtidos pela pesquisa demonstram que o Programa (PEJR) tem possibilitado aos jovens abrirem novos horizontes em seu meio familiar e social, se tornando um aliado na permanência do jovem no campo. A metodologia utilizada com base na Pedagogia da Alternância tem propiciado um clima favorável à formação dos jovens e seus familiares. Nesse sentido, as famílias têm demonstrado participação no processo de formação destes jovens.
Nesta experiência do PIC 170, foi possível compreender que o campo é um espaço, ainda de certa forma para muitos, um lugar esquecido. As instituições como o Cedejor tem oportunizado aos jovens uma qualificação profissional e com isso possibilita a ampliação de visão para que se percebam as diferentes possibilidades de sua propriedade rural, evitando assim o êxodo rural e fortalecendo o desenvolvimento da região. Entende-se que ao estudar estas questões que envolvem o campo e compreender as relações que se estabelecem nos sistemas familiares é de suma importância à região.
A pedagogia utilizada nos possibilita compreender que é uma ferramenta para o fortalecimento das relações familiares. Este modelo, com base na Pedagogia da Alternância permite ao jovem estudar e ajudar a família sem prejudicar o andamento do trabalho na propriedade rural.
Um levantamento, ainda preliminar, a respeito de estudos e produções teóricas realizados sobre a Pedagogia da Alternância, revela a existência de uma lacuna no meio acadêmico de nossa Região. Os raros trabalhos existentes fazem referências a essas experiências de maneira indireta e numa abordagem histórica com pouco aprofundamento em termos sócio-econômicos, pedagógicos e psicológicos. Apesar delas não serem tão recentes, ainda não se tornaram objeto de reflexões e produções acadêmicas sistemáticas e contínuas, de maneira a contribuírem para a compreensão de sua natureza e das características e impactos do projeto que vem sendo construído, assim como das práticas que estão sendo desenvolvidas em seu interior.
Este processo de aprendizagem iniciado no meio familiar, além de um processo educacional é também um processo político, e, por isso, a Pedagogia da Alternância valoriza esses conhecimentos familiares no processo de formação do jovem tentando restituir à família a responsabilidade da educação desprezada na atualidade.
Neste estudo, pode-se apontar que a família tem motivado e participado desta formação. Também se detectou que o papel do jovem do campo no grupo familiar - conforme os relatos - muitas vezes é visto como força de trabalho na Unidade Familiar de Produção (UFP), mas com o desenvolvimento de suas habilidades no Cedejor, passam a ser mais respeitados e compreendidos dentro do meio familiar.
Em relação ao projeto de vida dos jovens, foi possível perceber nos depoimentos dos pais que o jovem querendo ou não ficar na propriedade rural, ele terá o apoio de sua família. Neste sentido, percebe-se que os jovens são respeitados em suas escolhas e o que mais se sobressai é o amor pelo filho estando ou não no campo.
Todavia, como limitações da pesquisa, apontam-se os seguintes aspectos: uma questão não trabalhada neste estudo e que possibilita novas pesquisas é em como a experiência do Cedejor, tem contribuído para as interações familiares. Outra questão envolve a Psicologia Ambiental como forma de conscientização e preservação dos espaços do jovem rural e como estes têm se apropriado de seus espaços. Estas questões são relevantes para um levantamento de reflexões futuras.
*Clayton Nunes da Silva – Bacharel em Psicologia pela Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC, com linha de pesquisa em Meio Ambiente.