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A Organização do Cedejor na Formação de Jovens Rurais

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30.10.09 O CEDEJOR iniciou suas atividades em 02 de agosto de 2001, é uma associação civil sem fins econômicos, de caráter beneficente, assistencial, educacional, social e cultural e foi reconhecido em 26 de novembro de 2002 como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP). A sede central encontra-se localizada em Albardão, 7º Distrito do Município de Rio Pardo-RS. Atua na formação de jovens rurais com idade entre 16 e 29 anos em três núcleos na Região Sul do Brasil. 
- Território do Vale do Rio Pardo – RS (Município Rio Pardo);
- Território das Encostas da Serra Geral – SC (Município Lauro Muller);
- Território Centro Sul do Paraná-PR (Município Guamiranga-PR).

A instituição está estruturada nas seguintes instâncias: I – Assembléia Geral; II – Conselho Deliberativo composto por 11 conselheiros representantes das comunidades dos núcleos, incluindo conselheiros juvenis eleitos pela Assembléia Geral para um mandato de dois anos, permitindo-se a reeleição; III – Conselho Fiscal; IV – Gerência Executiva que é o órgão responsável pela administração ordinária da Associação, coordenada por um Gerente Executivo, uma Coordenadora Pedagógica e uma Coordenadora Administrativa escolhidos pelo Conselho Deliberativo; V – Coordenadoria dos núcleos.

Cada núcleo do CEDEJOR possui um Conselho Comunitário, constituído por representantes das comunidades rurais do território de atuação, de jovens, representantes de entidades parceiras com caráter consultivo e tem por atribuições assessorar e aconselhar as coordenadorias nas suas tarefas. Esta forma de organização estabelece um modelo de gestão participativa e está previsto na Lei de Diretrizes e Base da Educação (LDB) Orientado por concepções e práticas apoiadas no paradigma do desenvolvimento humano, voltadas para o desenvolvimento sustentável (ambiental, econômico, social, cultural e político), de acordo com os Pilares da Educação para o século XXI (DELORS, 1988), o CEDEJOR desenvolve a Pedagogia da Alternância em atividades voltadas para a formação de jovens Agentes de Desenvolvimento Rural com vistas à construção de novos empreendimentos nos territórios rurais.

Percebe-se nesta estrutura organizacional uma proximidade com o sistema dos Centros Familiares de Formação por Alternância que tem seu sustentáculo em quatro pilares: I – Associação Local; II – Pedagogia da Alternância; III – Formação Integral e IV – Desenvolvimento Sustentável. De acordo com Calvó (2005) os pilares dos CEFFA são definidos como dois meios e duas finalidades, ou seja, por meio de uma Associação que utiliza a Pedagogia da Alternância na formação, chega-se às duas finalidades que são a Formação Integral e o Desenvolvimento do Meio.

ELEMENTOS NORTEADORES DA FORMAÇAO NO CEDEJOR
Os principais objetivos e linhas de atuação segundo o estatuto social do CEDEJOR são: promover ações sociais, educacionais e culturais que contribuam para a sustentabilidade e a melhoria da qualidade de vida nas regiões onde atua. Para consecução desses fins a instituição se propõe a desenvolver processos educativos participativos que busquem a formação do jovem rural que permitam a gestão de alternativas voltadas ao desenvolvimento econômico e social integrado e sustentável das comunidades rurais.

A organização político-pedagógica e os componentes curriculares são norteados pela Unidade Político-Metodológica (UPM) do Programa de Empreendedorismo do Jovem Rural. O Programa propõe uma ação educativa complementar à escola, e atende preferencialmente jovens que tenham concluído o Ensino Médio. Suas concepções norteadoras articulam os diferentes conhecimentos que, relacionados e integrados aos eixos de trabalho (humano, técnico e gerencial) constituem uma perspectiva interdisciplinar e transversal.

O Paradigma do Desenvolvimento Humano, os Pilares da Educação para o Século XXI, os Códigos da Modernidade e a Pedagogia da Alternância são referências para a formação integral e indicam as competências a serem construídas pelos jovens rurais, de modo que o Programa Empreendedorismo do Jovem Rural impulsione o desenvolvimento pessoal, intelectual e produtivo dos jovens (UPM, 2005).

No CEDEJOR durante a semana presencial a formação envolve processos grupais e participativos, coordenados por educadores denominados monitores. Estas atividades envolvem o trabalho individual com acompanhamento personalizado, a convivência em grupo e em internato, análise da realidade e atividades de aprofundamento científico com conteúdos que abragem os três eixos: humano, técnico e gerencial. Nas três semanas em que os jovens estão no meio familiar e socioprofissional, são orientados a praticar os conhecimentos, o saber teórico apreendido no núcleo. Nesse período as famílias recebem a visita dos educadores/monitores como forma de acompanhamento das atividades estabelecendo a alternância integrativa na relação do núcleo com a família e com o meio/comunidade.

Os aspectos constitutivos do currículo para esta formação, considerando a especificidade das aprendizagens que pretende desenvolver, são organizados em três eixos: Humano, Técnico e Gerencial e decorrem da intenção de formar jovens rurais para a participação cidadã, com competência para empreenderem no meio em que vivem. Propõe, portanto, o desenvolvimento de pessoas, das comunidades e das relações com o mundo do trabalho.

REFERÊNCIAS
BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Lei n. 9.394 de 20 de dezembro de 1996.
CALVÓ, Pedro Puig. Que orientação profissional é possível promover no ensino fundamental. Tradução BURGHGRAVE, Thierry de. In: Revista da Formação por Alternância. ISSN 1808-7043. Brasília: União Nacional das Escolas Famílias Agrícolas do Brasil, 2005. V 1 n. 1. p. 22-36.

CEDEJOR (2007). Estatuto Social do Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural. Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) abertura 02 ago. 2001 – atualização e aprovação pela Instrução Normativa RFB n. 748, de 28 de junho de 2007.

DELORS, Jacques et al. Educação, um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez, Brasília: Ministério da Educação/UNESCO, 1998.

GIMONET, Jean Claude. Praticar e compreender a Pedagogia da Alternância dos CEFFAs. Tradução Thierry de Bughgrave. – Petrópolis, RJ: Vozes, Paris: AIMFR – Associação Internacional dos Movimentos Familiares de Formação Rural., 2007. (Coleção AIDEFA – Alternativas Internacionais em Desenvolvimento, Educação, Família e Alternância).

 *Por Aparecida Maria Fonseca - Coordenadora pedagógica no Cedejor. 

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