CEDEJOR

Cedejor
 
 
Nome: 
E-mail: 

A Metodologia Integrativa da Pedagogia da Alternância

» INDIQUE ESTA PÁGINA
imagem

25.02.10 É preciso que a educação esteja – em seu conteúdo, em seus programas e em seus métodos – adaptada ao fim que se persegue: permitir ao homem chegar a ser sujeito, construir-se como pessoa, transformar o mundo, estabelecer com os outros homens relações de reciprocidade, fazer a cultura e a história... (FREIRE, 1980, p.39).

O Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural (CEDEJOR) na aplicação do Programa Empreendedorismo do Jovem Rural (PEJR) utiliza  a Pedagogia da Alternância por entendê-la como uma proposta de educação real e não utópica que se traduz num projeto de uma sociedade mais democrática, participativa e justa. Neste artigo encontra-se uma contextualização geral sobre o programa e a pedagogia utilizada não com a finalidade de generalizar nenhuma concepção, mas sim aumentar os espaços de reflexão, com base no que já foi escrito e vivenciado na Pedagogia da Alternância como movimento educativo.

O projeto pedagógico do PEJR encontra-se embasado em princípios e valores da Pedagogia da Alternância como estratégia para a integração da diversidade de conhecimentos, saberes e competências que se formam processualmente em centros ou espaços formais de educação e nos meios vivenciais. Entre princípios e valores conferem destaque à história dos jovens e de suas famílias, em suas interações locais e territoriais, como ponto de partida para a inclusão e valorização de novos e diferentes saberes construídos em espaços e tempos diversos (Doc. PEJR 2010, p.2).

O princípio da alternância não é novo, sobretudo em se tratando de educação, e mais especificamente, da educação escolar. Conforme Queiroz (2004), a dinâmica de alternar momentos na instituição escolar com momentos no trabalho, na família, no bairro, na vila, na comunidade, na pequena propriedade rural, é bastante antiga, mas pouco relatada e estudada.

A Pedagogia da Alternância traz consigo as seguintes características: 1- um projeto educativo próprio; 2- prioridade na experiência socioprofissional; 3- articulação de espaço e tempo em diferentes situações; 4- instrumentos metodológicos específicos; 5- concepção específica de educador-monitor; 6- um conjunto de colaboradores na formação e por fim, condições favoráveis à aprendizagem.

A Pedagogia da Alternância assemelha-se à visão de Freire (1987), ao revelar um novo ponto de vista sobre a relação entre educação, indivíduo e escola. Para ele, o homem sendo o sujeito da educação evidencia uma tendência interacionista, já que a interação homem-mundo, sujeito-objeto, torna-se imprescindível na perspectiva de que o ser humano se desenvolva e se torne agente de sua práxis. A análise interacionista de Freire evidencia que a educação, para ser válida, deve levar em conta necessariamente tanto a vocação ontológica do homem (vocação de ser sujeito) quanto as condições nas quais ele vive (contexto).  Ou seja, o homem chega a ser sujeito pela reflexão sobre seu ambiente concreto: quanto mais ele reflete sobre a sua realidade, sobre sua situação concreta, mais se torna progressiva e gradualmente consciente, comprometido a intervir na realidade para mudá-la.

A Pedagogia da Alternância não é apenas um método em que tempos teóricos e tempos práticos organizados em um plano didático, meramente se sucedem. Trata-se de uma alternativa para se propiciar uma forte interação entre os dois momentos de atividade, em todos os níveis do campo educativo. Com esta pedagogia deixa-se para trás uma pedagogia plana para ingressar numa pedagogia no espaço e no tempo, em que as instituições e os atores implicados no processo se diversificam. Os papéis dos atores deixam de ser aqueles da escola tradicional. O jovem em formação, isto é, o “alternante”, não é mais um aluno na escola, mas sim um ator num determinado contexto de vida e num território (GIMONET, 2007, p. 19).

A família é convidada a participar ativamente da educação e da formação dos jovens. Os educadores, denominados “monitores” têm funções e papéis bem definidos e mais amplos que aqueles de um docente ou de um professor. E, conforme afirma Gimonet (2007, p. 20), “todos estes atores são chamados a cooperar, a complementar-se nas suas diferenças”. A eficiência da alternância é ligada à qualidade relacional existente entre todos os atores “alternantes” e “monitores” para desenvolver as atividades e melhor aplicar os instrumentos pedagógicos específicos do método.

O currículo dos programas de formação pela Pedagogia da Alternância é representado num Plano de Formação definido por Calvó (2005) como uma representação gráfica do programa de formação. Reúne a dinâmica interdisciplinar e transversal da organização dos conteúdos curriculares aliados a tema geradores e Planos de Estudos distribuídos no tempo de formação. Ou seja, o tempo que envolve estadias no meio sócio-profissional e no meio escolar, no centro de formação.

Os instrumentos pedagógicos específicos da pedagogia da alternância garantem a integração entre a realidade dos jovens e a realidade acadêmica. Entre eles, destaca-se o Plano de Estudo, que é o guia de todo o processo, podendo ser definido como o instrumento que de certa forma garante a metodologia integrativa. O Plano de Estudo consiste em um guia de orientação para a pesquisa e a experimentação. É construído a partir de temas geradores interligados a uma realidade e aos conteúdos gerais da formação.

O efeito desta estrutura organizacional de uma educação libertadora, um método específico que reúne teoria e prática, que integra centro de formação, família e meio socioprofissional, não poderia ser outro se não aquele promotor de uma formação integral de jovens rurais com vistas ao desenvolvimento sustentável.

*Por Aparecida Maria Fonseca - Coordenadora pedagógica no Cedejor. 

Indicações Bibliográficas
CALVÓ, Pedro Puig. Que orientação profissional é possível promover no ensino fundamental. Tradução BURGHGRAVE, Thierry de. Revista da Formação por Alternância, Brasília, v. 1, n.1, p. 22-36, 2005.

FREIRE, P. Conscientização: teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire. Tradução de Kátia de Mello Silva. Revisão Técnica de Benedito Eliseu Leite Cintra. 3. ed. São Paulo: Moraes, 1980.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. 29. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

GIMONET, Jean Claude. Praticar e compreender a pedagogia da alternância dos CEFFAs. Tradução Thierry de Bughgrave. Petrópolis, RJ: Vozes, Paris, 2007. (Coleção AIDEFA – Alternativas Internacionais em Desenvolvimento, Educação, Família e Alternância).

PEJR – Programa de Empreendedorismo do Jovem Rural. Proposta de Reestruturação (documento de trabalho, versão janeiro de 2010). UFV- Universidade Federal de Viçosa, ISC – Instituto Souza Cruz, CEDEJOR – Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural 2010.

QUEIROZ, João Batista Pereira de. Construção das escolas famílias agrícolas no Brasil: ensino médio e educação profissional. 2004. 210 f.  Tese (Doutorado) – Universidade de Brasília, Brasília DF, 2004.

voltar

imprimir

» COMENTE ESTE TEXTO
 
Últimas notícias
 
Cedejor


Estrada Geral Vargem Grande, s/n, Bairro Rio Amaral, Lauro Müller/SC, CEP: 88.880-000 Fone: (48) 9164-8825
Copyright © 2008-2012 CEDEJOR - Todos os Direitos Reservados - Termos de Uso
Desenvolvido por Tecnicorp ADCloud