16.03.10 Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) saneamento básico se refere à disponibilização de instalações e serviços para a eliminação segura de urina e fezes além da manutenção das condições de higiene, através dos serviços de coleta de lixo e tratamento da água para o consumo humano.
A Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) considera a falta de saneamento adequado um dos mais sérios problemas ambientais e sociais que afetam os municípios brasileiros, refletindo no quadro epidemiológico com altos índices de mortalidade infantil e alta incidência de várias doenças como dengue, esquistossomose, doença de Chagas, malária, diarréias, verminoses entre outras.
Nesta conjuntura, um fator necessário a se mencionar é a discrepância entre a situação do saneamento básico em áreas rurais e urbanas. De acordo com o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2000, em áreas urbanas 89,8% dos residentes dispunha de rede de distribuição de água e 72,1% contava com solução adequada para o destino do efluente domestico. Já nas regiões rurais os valores são de apenas 18,1% para o tratamento de água e 12,9% para o efluente domestico.
A pesquisa Trata Brasil: Saneamento e Saúde, divulgada em novembro de 2007 pela Fundação Getulio Vargas (FGV) mostra que se nada for feito, podemos vislumbra um futuro não muito diferente do atual, pois no patamar que se encontra o investimento em obras de saneamento no Brasil, conheceremos a universalização do acesso ao esgoto e água tratada apenas no ano de 2122!
Dentro deste contexto podemos inferir que é necessário melhorar as vicissitudes do atual sistema de saneamento básico, já que a população rural não pode esperar até 2122. A Rede de Tecnologia Social (RTS) constituída por instituições públicas e privadas, que trabalham com reaplicação, difusão, desenvolvimento, monitoramento e avaliação de Tecnologias Sociais, indica que o caminho mais rápido para a mudança desse cenário é investir em experiências alternativas já desenvolvidas no país, como as Tecnologias Sociais, soluções sustentáveis eficientes, simples e baratas, (XEILA, 2008).
Temos alguns exemplos de sistemas como a fossa biodigestora desenvolvida pela Embrapa. Ela tem como objetivo ser uma alternativa de baixo custo para o produtor rural, substituindo o esgoto a céu aberto por um sistema descentralizado de tratamento de efluente. Ele consiste em 3 caixas d’água que funcionam em sistema anaeróbio que transformam o esgoto domestico em biofertilizante.
Outra vantagem desse sistema é a maneira que é construída. Tento em vista que as técnicas para sua implantação são facilmente replicáveis e os materiais são de fácil manuseio, o biodigestor pode ser construído em forma de mutirão, o que contribui para a autonomia da comunidade.
O Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural acredita que inovações ambientalmente corretas e socialmente justas podem mudar a realidade do território nos quais os jovens estão inseridos, e para isso fomenta sua autonomia através da Metodologia da Pedagogia da Alternância, inserido de modo multidisciplinar os eixos humano, técnico e gerencial.
*Por Rodrigo Ozelame da Silva, Gestor Ambiental, Educador no Cedejor (CSP).
Para saber mais veja
PROJETO ALTO AIUROCA SUSTENTÁVEL, Proposta de saneamento básico da região do Alto Aiuroca. Disponível em: http://www.paas.uff.br/sanea.htm. Acesso em : 12 de março de 2010.
RODRIGUES, H, et al. Proposta de Saneamento Básico e Integração Sócio-Ambiental da Gleba Pantanal. 2009. 80 f. Projeto Profissional de Intervenção (Curso Superior) – Faculdade Evangélica do Paraná, Curitiba PR, 2009.