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O educador como instrumento de transformação no meio rural

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21.07.10 Hoje podemos ver em pesquisas realizadas em todo o Brasil que o êxodo rural aumenta cada dia mais, mas nunca vemos os reais motivos de tal abandono por parte de seus moradores. Se pararmos para pensar talvez consigamos chegar à conclusão que a educação que temos no meio rural ajuda muito nesse aumento exagerado do êxodo no interior por parte das pessoas que o compõem.

Porque não falamos de inclusão no meio rural já que existe tanta exclusão, e porque não falamos da formação de nossos educadores para que eles possam trabalhar de uma forma mais adequada levando uma educação mais condizente às reais necessidades das localidades do interior de nosso país?

Nossas escolas no meio rural antes de terem em seus currículos uma educação mais diferenciada e destinada especificamente às necessidades do meio em que esta, precisa de educadores responsáveis e que estejam realmente interessados em aprender junto com seus alunos e a trabalharem realmente com a realidade e com o meio em que seus alunos estão. O educador deve estar disposto a se renovar, a modificar seus conceitos e a sair do comodismo, a não se limitar em suas teorias e em currículos e livros didáticos elaborados longe da realidade de seus alunos.

Em uma sala de aula seja do interior ou da cidade podemos observar que existe uma grande quantidade de alunos, com muitas etnias, religiões, e sonhos diferentes uns dos outros, e o professor é simplesmente o mestre que conduz essas pessoas. Por isso o educador deve ter uma formação adequada a qual lhe leve a ter condições e habilidades de trabalhar com alunos de diferentes realidades de vida.

Cada aluno deve ser considerado um ser especial, pois quando ele vem para a escola entrega nas mãos do professor seus anseios e desejos de obter junto a ele e a escola uma vida melhor. Ele vai para a escola com esperanças de aprender coisas que estando em casa ou indo para outros lugares não poderia aprender. A escola e o educador se tornam para o aluno um ponto de referencia onde o mesmo se prepara para se tornar uma pessoa capaz de no futuro ser independente e capaz de formar idéias.

Nesse sentido o um educador não é só aquele que ensina conteúdos básicos como ler e escrever, o educador muitas vezes é o ponto de partida para a transformação de vidas. Educar não é apenas ensinar ao aluno o A, B, C ou que dois mais dois são iguais a quatro, mas também ajudar a desenvolver no aluno as qualidades e sonhos que ele tem dentro de si.

Quem mora no interior tem uma forma de falar, de se vestir, de pensar e de agir diferente, o que para as pessoas que moram na cidade se torna estranho e gera muito preconceito, sendo que as pessoas do meio rural acabam sendo rotuladas como ignorantes, caipiras entre outros rótulos que são colocados. Muitas vezes esse preconceito começa dentro das escolas, sendo que as crianças do meio rural muitas vezes devido a isso acabam se tornando tímidas, acabam tendo muitas vezes vergonha de suas famílias e do meio em que vivem inclusive, e assim começam a ter problemas no aprendizado, e muitas vezes até desistem de estudar.

Muitas vezes os educadores e a educação das escolas do meio rural é a mesma passada nas escolas do meio urbano, ou às vezes nem chega a tanto. Muitas vezes quando um aluno diz que estudou em uma escola do interior automaticamente pensamos que o ensino dele foi fraco. Esse é mais um dos rótulos que existem, e que infelizmente esta difícil de mudar.

Creio que tanto os alunos do meio rural quanto os alunos do meio urbano devem conhecer outras realidades. Como educadores devemos lhes mostrar o mundo que existe atrás de uma sala de aula, mas nunca devemos desprezar os conhecimentos e a realidade que trazem de casa, de junto de suas famílias e comunidades. O aluno antes de dar seus primeiros passos na escola aprendendo a ler e escrever já deu seus primeiros passos em casa junto a sua família, ele traz junto de si muitos ensinamentos, muito conteúdo o qual deve ser respeitado e pode ser aproveitado pelo professor que atua com ele. Muitas vezes o educador aprende mais com o aluno do que o aluno com ele, mas para isso o educador deve ter uma preparação e ter a convicção de que não sabe tudo sozinho.

Para isso o educador requer sempre dedicação ao trabalho e precisa sempre estar estudando, necessita de uma formação mais adequada. Para isso hoje já existem em vários lugares cursos de graduação e de especialização em educação do campo, os quais ajudam o educador a entenderem melhor a realidade rural e a ajudarem realmente seus alunos a se tornarem agentes transformadores de seu meio, e não pessoas excluídas e rejeitadas pelo mundo.

Paulo Freire sempre nos ensinou a trabalhar de acordo com a realidade de nossos alunos, mas depende muito da formação e da dedicação que o educador vai ter e da escola que ele vai trabalhar. O papel do educador é tão importante quanto o da família ao dar base, sustentabilidade e incentivo para que as crianças que temos agora se tornem bons profissionais e pessoas capazes de mudarem suas realidades. Não devemos nunca desprezar os conhecimentos e sonhos de nossos alunos, sempre levando em consideração suas realidades e a realidade de suas famílias. Por isso a importância de se trabalhar a realidade junto aos conteúdos, pois seja trabalhando como educador no meio rural ou como educador na cidade - temos que estar conscientes de nosso papel, nunca desprezando, julgando ou excluindo os alunos por suas origens.

Quando olho para as LDBS, vejo leis muito próprias e que possibilitam fazer de nossa educação uma educação de muita qualidade. A LDB para a educação do meio rural, menciona o seguinte:
Art. 28. Na oferta de educação básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região, especialmente:
I - conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural;
II - organização escolar própria, incluindo adequação do calendário escolar às fases do ciclo agrícola e às condições climáticas;
III - adequação à natureza do trabalho na zona rural.

* Priscila Savedra é aluna de Licenciatura em Pedagogia Séries Iniciais
Pela Universidade Federal de Pelotas – Pólo UAB de Cachoeira do Sul/RS e Agente de Desenvolvimento Rural pelo Cedejor.

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