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A Dinâmica dos grupos de jovens em formação no Cedejor

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Sergio Biron Burgardt

16.09.10  O educador quando desenvolve uma atividade com uma turma de jovens tem a sua frente um grupo de pessoas que se manifesta, reage, resiste de diferentes maneiras quando expostos as distintas situações. O grupo é, segundo alguns autores, um organismo que tem vida própria, tendo características que superam o conjunto de características individuais. Vale aqui o conceito extraído da teoria de sistemas: o todo é maior que a soma das partes.

Frequentemente interagimos com diferentes grupos ao longo da formação de uma turma, isto porque o grupo é o conjunto de pessoas que estão em interação num determinado momento, ou seja, a ausência ou a inclusão de um membro muda o grupo. A turma completa é um grupo. A turma com uma ausência é outro grupo. Este fato é determinado pelas mudanças que ocorrem nas relações internas dos grupos, pois o membro ausente tem influencia sobre os demais, assim como o grupo exerce sobre ele determinadas ações.

Grupos diferentes possuem dinâmicas diferentes. A conseqüência prática deste fato é que uma mesma turma exige atenção e estratégias diferentes a cada momento. O educador sente estas diferenças no seu trabalho cotidiano, contudo nem sempre consegue interpretar o que acontece. É necessário, além de sentir, desenvolver a capacidade de perceber o que acontece ao seu redor, o que quer dizer: interpretar e organizar suas impressões sensoriais. De certa forma, pela experiência, já temos parte desta percepção desenvolvida e reagimos a ela. O ideal e menos desgastante é não agir por reação, mas através de respostas fundamentadas na interpretação dos fatos.

Para ser considerado grupo, um conjunto de pessoas deve estar em interação. Pela natureza e forma de desenvolvimento do trabalho consideramos que as turmas de jovens em formação, são grupos. Os grupos estão em permanente interação. Podemos imaginar que cada jovem seja um nó dentro de uma teia e que as relações estabelecidas com os demais sejam as linhas que ligam uns aos outros. Questões individuais afetam a dinâmica do grupo. O que acontece com um jovem afeta todo o grupo, como se um dos nós tivesse sido puxado. Por isso um grupo está sujeito a diversos momentos de tensão provocados pela exposição de uma determinada opinião; pelo silêncio, pelas expressões não verbais, pela alegria ou abatimento de um membro. Nem sempre as ligações que um jovem tem com os demais é facilmente notado.

Os jovens estão conectados entre si, contudo algumas destas conexões são explícitas (amizades próximas, afinidades) e outras são ocultas. Ocultas, contudo não inexistentes. Estas conexões ocultas acarretam as maiores alterações de comportamento nos grupos, principalmente porque não são percebidas.

O comportamento de um grupo é influenciado por cada um dos seus membros. Cada jovem tem uma função no grupo e age de determinada forma sobre ele. Geralmente os jovens mais extrovertidos são notados em sua função, contudo todos os integrantes de uma turma exercem sua função de diferentes formas. As características de um grupo, portanto são momentâneas e sintomáticas. Explicando: são momentâneas na medida em que são mutáveis diante de diferentes estímulos e sintomáticas porque o grupo dá mostras do que está sentido através de diferentes manifestações (inquietação, falta de energia, não-colaboração; alegria extremada, resistência, negação, entre outras).

É importante notar que o grupo frequentemente se manifesta através de um dos jovens. Este é o chamado porta-voz do grupo. Por isso é importante considerar todas as manifestações (verbal ou não) dos jovens e não tratar determinada opinião como individual. Muitas vezes o grupo fala através de um de seus membros.

Diante deste dinamismo todo, nem tudo é tão mutável e tênue, os grupos ao longo de sua convivência passam a ter uma cultura própria, ou seja, características gerais de funcionamento que o identificam (pró-ativos, questionadores, tranquilos, resistentes, etc).  A alternância de comportamentos e reações compõem o clima do grupo (alegre, triste, colaborativo, apático,entre outros). Perceber a cultura é importante para planejar a atuação junto ao grupo, pois ela é duradoura; perceber o clima é importante, pois ele varia com frequencia e pode ser “manejado” pelo educador através de diferentes estímulos (perguntas, técnicas de grupo, proposição de trabalhos artísticos, discussões em subrupos, etc). Cultura (ou o “jeitão” da turma), respeita-se e se buscam estratégias de relação e clima (“estado emocional” do momento) estimula-se e buscam-se melhores maneiras de intervenção.

Importante salientar que os educadores não fazem parte do grupo de jovens, são “facilitadores”, “mediadores”, “fabulosos” entre o conhecimento do jovem e o científico. A reflexão sobre a postura do educador já foi exposta no artigo “Tripés: De onde derivam nossas práticas pedagógicas cotidianas na Pedagogia da Alternância” que pode ser retomado no site do Cedejor. Por não pertencerem ao grupo, muitas vezes, o educador se depara com reações da turma que são contrárias a todo seu esforço e intenção. Este fato acontece porque o grupo reage de acordo com sua cultura e seu clima no momento e não significa, necessariamente que esteja sendo contra o educador. Por isto é importante respeitar o grupo quanto a sua velocidade de resposta aos estímulos (principalmente quando lenta), a exteriorização de conflitos e as resistências iniciais a uma proposta.

Cabe ao educador estimular, mas também acreditar, no que alguns autores chamam: “sabedoria do grupo”. Por este termo entende-se que o grupo tem seus próprios meios de encaminhar as respostas necessárias para resolver as questões levantadas (por ex. o alcance de um objetivo proposto através de uma técnica de grupo ou o encaminhamento da solução sobre a cerimônia de formatura) e resolver seus conflitos. Ressalta-se o papel do educador como estimulador destas respostas e mediador das ações, não precisando manipular o grupo para um determinado resultado. O educador “perturba” o grupo e monitora as reações.

Parte 1.
* Por Sergio Biron Burgardt
Gerente Executivo do Cedejor

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