23.10.10 Estímulo, em psicologia social, é tudo aquilo que provoca uma resposta específica. Quando um educador lança o tema da atividade; faz uma pergunta ao grupo sobre um tema; ou propõe uma técnica de aprendizado, está lançando um estímulo. Um estímulo provoca uma ou mais respostas.
Comparativamente podemos imaginar que um estímulo é uma alavanca que tem o poder de abrir uma janela no cérebro do jovem, através da qual a resposta surgirá. As respostas não são imediatas, elas precisam ser processadas antes.
Um estímulo desencadeia um processamento mental. Cada jovem tem o seu tempo e sua forma de processamento mental. O mesmo pode-se dizer quanto a resposta. A qualidade da resposta depende da forma e do tempo característico de cada um. É importante após um estímulo dar atenção ao máximo de respostas possíveis e não apenas às primeiras que sejam exteriorizadas. Quando falamos de “qualidade da resposta” relacionamos com o processo mental e não por seu conteúdo. Para manter esta “qualidade” é importante valorizar as respostas, mesmo que “incorretas” aos olhos do educador.
Como o estímulo provoca um processamento mental, ele mobiliza o jovem a pensar. Pensar consome tempo, atenção e energia, por isso o número de estímulos deve ser limitado. Muito estímulo causa uma reação adversa e uma não-resposta, tal qual um toque na pele que de uma sensação gostosa evolui para uma irritação.
Os educadores devem ter cuidado com o número de questões levantadas para uma turma, o número de proposições e a quantidade de material didático (visual, auditivo, olfativo) exposto num mesmo momento. O procedimento que se segue a um estímulo é a exposição do que foi pensado ou elaborado.
O ideal é que as respostas sejam expostas, valorizadas, debatidas e encaminhadas para uma conclusão. Esta conclusão não precisa, necessariamente, ser o fechamento do assunto, mas pode acontecer em forma de encaminhamento para retomada futura. Assim um tema polêmico pode ser encaminhado para uma pesquisa sobre o tema, ou um debate com especialistas, entre outras formas.
Condução de trabalhos em grupo:
Destaco alguns passos da condução de uma atividade com uma turma de jovens e a postura do educador ao longo da sua execução. É um exemplo a partir da aplicação de uma técnica de grupo, mas que pode ser extrapolada para outras formas didáticas de abordagem de um conteúdo.
1. Proposição ou exposição da atividade: no início da atividade é importante apresentar o tema da atividade e como ela será desenvolvida.
2. Orientação clara: propor a técnica de modo claro, expondo todos os materiais disponíveis, os passos e os objetivos a serem alcançados. O ideal é que a orientação seja dada toda no início da atividade, evitando inserir outras orientações ao longo da execução da tarefa.
3. Observação e registro: após o início da execução da tarefa (vivência) o papel do educador passa a ser o de observador das ações do grupo. Neste momento o ideal é observar e registrar o máximo possível de impressões. Quanto menor o número de intervenções, melhor. Assim o resultado terá as características do grupo. O resultado de uma técnica não é atender à expectativa do educador, mas entre diversos propósitos: (1) tornar visível o comportamento do grupo no desenvolvimento de uma determinada tarefa; (2) trazer à tona as diferentes opiniões, valores, conceitos, preconceitos do grupo; (3) conduzir o grupo a uma reflexão a partir de suas próprias ações.
4. Respeitar a “Sabedoria do Grupo”: uma vez orientada e iniciada a atividade procurar não realizar intervenções. Mesmo que o grupo tome rumos diferentes, segurar a ansiedade de querer que tudo saia como previamente planejado, e deixar o grupo caminhar. Tudo o que acontecer na execução da atividade poderá ser retomado ao final e utilizado como elemento de reflexão.
5. Relato da experiência: logo após o encerramento da execução da tarefa solicitar que os participantes relatem suas observações sobre o que vivenciaram: o que viram, fizeram, sentiram, consideraram e as estratégias utilizadas. O educador deve manter o grupo focado na vivencia, evitando dispersões no tema. É muito comum que após a proposta de relato que haja um silêncio. Este silêncio é a fase de processamento mental individual de cada um. A proposta de relato é um estímulo. Não temer os longos segundos até a primeira manifestação é importante.
6. Processamento: neste momento os jovens são convidados a refletir sobre como o grupo se portou na execução da tarefa. O educador pode aprofundar a exposição solicitando que opiniões e sentimentos sejam mais bem explicados quanto a forma como ocorreu, exemplificados ou descritos.
7. Generalização: é a fase em que os jovens são questionados sobre o que aprenderam com a vivência e como estes aprendizados podem ser utilizados no cotidiano. Normalmente é nesta fase que são introduzidos os conhecimentos teóricos, fundamentações, conceitos ligados ao tema abordado.
8. Aplicação: é a fase em que o educador promove a relação entre o que aconteceu na vivência com a realidade do grupo os dos jovens. É o momento de encaminhar como os aprendizados serão utilizados na vida real.
9. Fechamento: após o relato do grupo (do máximo possível de jovens) deve-se conduzir a discussão para um encerramento da atividade. Fechamento é diferente de conclusão, pois nem sempre há necessidade ou possibilidade de concluir um assunto, por falta de consenso, por ex. Nestes casos pode-se encaminhar para uma nova tarefa a ser retomada em momento futuro: propor pesquisa sobre o assunto, seminários, palestras, rediscussão em outro momento, tratar as diferentes opiniões como hipóteses, etc. O importante é dar encaminhamento para a discussão. Discussões sem fechamento podem causar acirramento dos ânimos ou frustrações.
O fechamento de discussões exige cuidado, observação e experiência. Uma das dicas é perceber o instante de satisfação do grupo com as colocações já realizadas e aproveitar os segundos de silêncio entre as colocações e encaminhar para o final. O ideal é não abrir um novo estímulo, por ex. perguntando “Alguém mais quer falar alguma coisa?”.
10. Encaminhamento: expor, de preferência de maneira visual, as conclusões e encaminhamentos da atividade.
Cabe ao educador, portanto: estimular, conduzir a reflexão, mediar a discussão, fechar a atividade (não necessariamente o assunto) e dar os encaminhamentos finais. Retomo as palavras iniciais do artigo, o conteúdo aqui exposto serve para provocar a leitura de outros materiais e a discussão entre nossas equipes, uma vez que o assunto é extenso e possui certa complexidade.
* Por Sergio Biron Burgardt
Gerente Executivo do Cedejor