04.03.09 Entre outras iniciativas voltadas para a educação dos jovens rurais está o Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural (Cedejor), que se dedica ao desenvolvimento integral do jovem, na busca de formas sustentáveis de geração de renda para a melhoria da qualidade de vida nas comunidades rurais.
Ao longo das últimas quatro décadas, as organizações que investem em projetos educativos calcados no empreendedorismo e no protagonismo para o desenvolvimento do jovem rural construíram um importante acervo de referências. Este legado foi fundamental para a criação do Cedejor, uma instituição sem fins lucrativos, que atua em três núcleos distribuídos nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
O Cedejor foi criado em 2001, como resultado dos debates em torno da implementação do Programa de Empreendedorismo do Jovem Rural (PEJR) pelo Instituto Souza Cruz. Desde lá o Cedejor, através da execução do PEJR, vem sistematizando referências pedagógicas em Educação do Campo, com o objetivo de multiplicar soluções criativas, direcionadas à causa e à realidade local das diversas juventudes rurais, preferentemente os jovens que concluíram o Ensino Médio e que buscam formação e oportunidades para desenvolverem-se no campo.
O Cedejor trabalha o empreendedorismo na perspectiva da geração de oportunidades de trabalho e renda, mas também na animação de iniciativas solidárias que contribuam para o fortalecimento do capital social, da equidade social e da qualidade de vida nos territórios rurais em que atua. Para isso, mais que jovens diferentes, é preciso jovens que façam à diferença.
Uma das formas de possibilitar esse “contexto positivo” para o jovem rural é criar um ambiente institucional que estimule o conhecimento e seja favorável para que as novas idéias tenham chance de se tornar empreendimentos. Neste sentido o educador no Cedejor vive múltiplas experiências.
Educadores dos três núcleos do Cedejor, dos três Estados participam de seminários que possibilitam uma formação continuada para aperfeiçoar sua prática em Pedagogia da Alternância. A prática é complexa e traz vários elementos, onde um complementa o outro: o jovem, a família, os monitores, os atores locais, os parceiros, mantenedores, todos exigem do educador um conjunto de saberes para saber-fazer para integrar esses atores no processo de formação e desenvolvimento.
Alguns estudiosos da Pedagogia da Alternância caracterizam a figura do educador e tentam de diversas maneiras descreverem a complexidade da função deste(a) profissional da Educação. A função de educador por ter uma dimensão global, é complexa, pois seu exercício requer condições de capacitação e conhecimentos aprofundados, tanto dos temas inseridos na proposta do Programa, como um conhecimento profundo da realidade, da potencialidade, das condições regionais, tendências de mercado, de novas alternativas viáveis para a região, conhecimento da propriedade familiar, de como superar as deficiências econômicas e da própria estrutura familiar, é preciso dedicação à função de educador.
Para desenvolver um bom processo de formação o educador no Cedejor deve ter um bom entendimento e domínio sobre o processo pedagógico, sobre a Pedagogia da Alternância. Mas, o educador não chega com todos os conhecimentos prontos, mais do que um conhecimento específico, é preciso ter um perfil diferenciado. É preciso saber aliar teoria e prática. A alternância é uma prática pedagógica em constante construção, por isso, a formação deve partir da prática para a teoria e retornar a prática, considerando, assim, dois espaços e dois tempos como componentes complementares no processo formativo.
Na Pedagogia da alternância a teoria e a prática precisam andar muito próximas. A implementação desta metodologia requer um dispositivo pedagógico, organização das atividades, técnicas e instrumentos específicos e profissionais bem atentos. Neste aspecto, a formação dos educadores não deve se limitar aos cursos, mas através de sua relação com a prática ir buscando subsídios e fundamentação para fazer uma ruptura das aprendizagens que traziam, e adquirir novas aprendizagens necessárias à este ofício.
*Zeni Ferreira de Oliveira é educadora no Cedejor das ESG desde 2002, e recentemente concluiu sua especialização em Educação do Campo e Desenvolvimento Territorial, pela Universidade Federal de Santa Catarina.