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Desafios pela causa da juventude rural

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19.03.09 O Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural (Cedejor) é uma associação civil sem fins econômicos e sem finalidade lucrativa, de caráter educacional, social e cultural. Realiza prioritariamente atividades de formação de jovens rurais entre 15 e 29 anos.

Para realizar essas atividades conta com uma estrutura física, com equipes de educadores e colaboradores locais além de parceiros importantes como o Instituto Souza Cruz (ISC), o Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA) as prefeituras municipais das regiões onde atua.

Universidades e entidades de pesquisa presentes nos territórios de sua atuação, organizações não governamentais (ONG’s) locais, empresas públicas de extensão e pesquisa e as famílias dos jovens são articulados com vistas a contribuir na qualificação dos processos formativos desses jovens, e convidadas a se engajarem nesta tarefa de formação.

As práticas formativas desenvolvidas ao longo do processo, apoiadas no paradigma do desenvolvimento humano e voltadas para a sustentabilidade ambiental, econômica, social, cultural e política, norteiam fortemente a formação dos jovens rurais, com vistas à construção de novos empreendimentos em seu território.
 
Uma caminhada de sete anos
Desde julho de 2001 o Cedejor vem atuando como um Centro de Desenvolvimento do Jovem Rural, e se apresenta como uma boa referência de organização juvenil, de promoção do empreendedorismo e de inclusão da juventude nos espaços de formulação e execução de políticas públicas.

Para alcançar esses propósitos, vem procurando mobilizar os atores sociais do seu torno para que o problema da evasão de jovens dos espaços rurais seja reconhecido e assumido, além de buscar encontrar formas concretas que contribuam para minimizar esse fator.

Em razão disso podemos afirmar que esses sete anos de existência possibilitaram ao Cedejor assumir-se como uma agência de formação de jovens, sem descuidar da grande tarefa complementar, que é a de ser um agente promotor de desenvolvimento sustentável nos territórios em que está presente.

As intensas atividades, as constantes avaliações e as continuadas atividades de formação possibilitaram que o Centro formulasse e consolidasse alguns referenciais teóricos importantes (a missão e a visão institucional, o programa denso de formação, a Unidade Política Metodológica), que hoje constituem grandes marcos norteadores da ação formativa.

Aproximadamente 500 jovens, formados e em formação no Programa de Empreendedorismo do Jovem Rural (PEJR) vêm contribuindo com ações de mobilização nos territórios, estimulam iniciativas associativas, contribuem com inovações tecnológicas em unidades familiares de produção, trazem à tona o importante debate sobre a inclusão da juventude, e em especial a juventude rural, alertando para a urgência de políticas públicas.

Esta experiência acumulada no campo da formação e da capacitação profissional de jovens, especialmente oriundos do meio rural nos auxiliou a perceber um conjunto de desafios que gostaríamos de partilhar, mesmo que de forma sucinta:

a) Os jovens desejam se qualificar profissionalmente e se dispõem a isso, desde que esse processo de qualificação lhes aponte possibilidades imediatas ou no curto prazo, de agregação de renda, de ganhos financeiros e melhoria na sua qualidade de vida;

b) A maior parte dos estabelecimentos de ensino e formação formal ou informal não consegue oferecer respostas concretas e imediatas para essas demandas. Uma das conseqüências muito comuns é o grande índice de evasão dos jovens desses espaços formativos. O Cedejor também não se constitui exceção, embora haja muito empenho de toda a instituição e dos educadores para qualificar cada vez mais o processo formativo;

c) São poucas as instituições que trabalham com políticas de organização e de inclusão da juventude. Menos ainda são aquelas que têm propostas, projetos e ações capazes de motivar e mobilizar os jovens.

A construção de propostas inclusivas, a formulação de políticas públicas eficazes e a execução de projetos focados para as juventudes não é tarefa para uma única entidade. A conjugação de esforços e o somatório de contribuições poderão fazer toda a diferença.

Nossos desafios
Como instituição que atua preferencialmente com a qualificação e a formação de jovens, prioritariamente os do meio rural, o Cedejor tem alguns desafios que precisa resolver enquanto instituição para poder continuar a oferecer sua contribuição aos jovens nos seus processos de preparação profissional para o mundo do trabalho. Cito:

a) A identidade institucional: o Cedejor vai continuar implementando unicamente o Programa de Empreendedorismo do Jovem Rural (PEJR) como vinha fazendo? Ou haverá de oferecer outras ações formativas e de capacitação da juventude com metodologias, conteúdos e prazos diversos daqueles utilizados para a implementação do PEJR? Essa definição, obviamente, implicará em mudanças profundas dentro da instituição. Sua história e seus acúmulos a credenciam para fazer esse importante debate;

b) Ações e relações em rede: Muitas entidades e instituições já vêm atuando com organização e capacitação de jovens.  Cada vez fica mais evidente que ações transformadoras e eficazes acontecem quando houverem intervenções concatenadas e integradas das instituições;

c) Sustentabilidade financeira: os processos formativos são investimentos que não produzem resultados práticos imediatos. Eles advêm com o passar do tempo. Por isso é necessário parceiros estratégicos que aportem recursos de forma sistemática e duradoura. Ampliar e diversificar esses parceiros são desafio do Cedejor e de instituições congêneres que trabalham com esse tipo de público;

d) Mundo do trabalho ou mercado de trabalho: O Cedejor não pretende apenas contribuir para que seus jovens egressos desenvolvam um projeto de empreendedorismo econômico. Isso significaria prepará-los para competir num mercado de trabalho onde o essencial é a agregação de renda para aumentar a qualidade de vida.

Desejamos buscar cada vez mais poder contribuir para que nossos egressos sejam cidadãos esclarecidos, aptos a intervirem no seu mundo, no seu contexto sócio-cultural e econômico enquanto Agentes de Desenvolvimento, acrescentando qualidade à sua vida, à vida da sua família e da comunidade em que residem e da qual participam.

* Sérgio José Fritzen atuou na coordenação de vários movimentos sociais e neste último período esteve à frente da gerência do Cedejor.

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