25.03.09 O incentivo ao protagonismo juvenil provoca no jovem a vontade de iniciar ou incrementar sua inserção no local onde vive e de, sobretudo, manifestar suas idéias, ambições e opiniões sobre os diversos temas e faces de sua realidade. É notório o entusiasmo do jovem que participa da vida local. Energia, criatividade, vontade e irreverências (por vezes tímida quando na presença de adultos) estão presentes nas ações.
Estes jovens, no entanto encontram um espaço limitado (e delimitado) para suas manifestações. Não raramente são usados como mão-de-obra para realização de eventos ou, como meros repassadores das intenções e valores da adultidade para outras pessoas, inclusive jovens. São quase que repetições do adulto, que se efetivamente forem, perdem o poder jovem de transformação.
Uma das formas de tornar a comunicação do jovem eficaz é a expressão através das artes. Como arte falamos tanto das modalidades artísticas mais estruturadas – teatro, dança, música, poesia – quanto da utilização de técnicas artísticas - fanzine, estêncil, colagem, pintura, cartazes. Para ambas há a necessidade de instrumentalização, ou seja, necessitam de aprendizagem e aperfeiçoamento de etapas não totalmente dominadas (técnicas de confecção, cores, texturas, posicionamento cênico, voz, etc). Esta instrumentalização, a aprendizagem e o contato com diferentes formas de arte ocorrem durante a formação do jovem como atividade dentro do plano de formação.
Algumas atividades têm um caráter de análise do contexto ou do discurso embutidos num fato, como por exemplo, ao assistirem uma peça teatral, um espetáculo de dança ou um filme. Estas modalidades podem apurar a percepção do jovem quanto a sua realidade. Os cines clubes, neste contexto, é uma ótima opção para oportunizar aos jovens o acesso a diferentes títulos, temáticas e autores.
As modalidades artísticas e as técnicas são, desta forma, instrumentos de expressão do protagonismo juvenil que chamam a atenção por representarem uma nova e emergente forma de comunicação capaz de romper as barreiras estereotipadas que a comunidade mantém com relação aos jovens, em especial, considerando o Centro-Sul do Paraná.
Ao mesmo tempo as técnicas artísticas podem promover a comunicação de modo diferente e atraente, e solucionar o problema da falta de recursos para a produção dos materiais. Neste sentido, as modalidades artísticas podem expressar a opinião dos jovens de forma diversificada das comuns. Por ex. numa peça teatral os jovens podem expressar algo que numa reunião formal, não conseguiriam. Elas têm a possibilidade de fazer chegar ao ouvinte as opiniões, sem que este coloque, entre a fala do jovem e seu entendimento, a barreira do preconceito, resistência e estereótipo.
Os jovens não precisam necessariamente dominar as técnicas artísticas, pois nem todos possuem este interesse, contudo o conhecimento da existência de tais técnicas e modalidades podem auxiliá-los em futuras ações. A promoção de atividades que possibilitem o desenvolvimento de habilidades artísticas complementa a formação para a atuação destes jovens como Agentes de Desenvolvimento Rural (ADRs).
* Sergio Biron Burgardt é Coordenador do Cedejor (CSP).