“Através da formação no Cedejor cresci muito como pessoa. Não costumava falar em público, hoje sou catequista, atuo na formação de outros jovens rurais através do Projeto Juventude Rural em Movimento e faço parte da diretoria da Associação dos Pequenos Agricultores de Guamirim. Antes eu era uma filha de agricultor, nem participava das conversas sobre a propriedade e nem gostava da terra, agora sou uma agricultora”, conta Paula Tiene Scorsin - que concluiu sua formação no Cedejor em dezembro/2009.
Paula tem 20 anos e mora com meus pais. A mãe é funcionária pública e o pai trabalha na propriedade. Em uma área arrendada de 2 alqueires de terra cultivam feijão, milho, tem uma horta farta, galinhas, uma vaquinha que dá leite para o consumo e é onde a jovem pretende iniciar também o cultivo de moranguinhos. “Meu projeto é para plantio de moranguinhos que servirá para diversificar as culturas existentes e será uma nova fonte de renda para a família. Moro em Guamirim, a 4 km da cidade de Guamiranga. Esta proximidade com a cidade facilita a comercialização dos produtos”, conta a jovem. Como a área de terra é pequena a família optou por um cultivar que não exige muitos investimentos, que produza rápido e ocupe uma área de terra pequena.
Além de iniciar o cultivo de moranginhos a jovem fez um diagnóstico geral da propriedade e um cronograma para melhorar a horta, a estrebaria e o jardim. Tudo esta listado com orçamento, responsáveis e data para acontecer. Paula também tem habilidade para produzir peças de artesanato.
Para o cultivo de moranguinhos, inicialmente serão plantadas 5.000 mudas da variedade Camarosa. O preparo da terra já teve inicio e estará sendo tratado até o inicio do plantio, em maio de 2010. Será feita instalação de sistema de irrigação por gotejamento. Para controle de pragas será aplicado calda bordaleza. Paula conta com o apoio da EMATER e da UNICENTRO para assistência técnica para dar suporte ao andamento do projeto.
Depoimento da Jovem
Tudo em minha vida mudou! Melhorei muito depois que entrei no Cedejor em 2007. O que mais mudou em mim foi a maneira de falar em público, antes, nossa! Até parece que tinha medo de gente, era difícil puxar assuntos com outras pessoas que não eram muito conhecidas. Falar em público então nem se fale, me apavorava só em pensar, todo aquele pessoal olhando para mim, vai que falo alguma palavra errada. Mas agora o pessoal pode contar, o microfone é meu amigo, não tenho medo.
Outra coisa que mudou foi a maneira de gerenciar a minha Unidade Familiar Produtiva. Antes não tinha nenhum gerenciamento, não tínhamos o conhecimento do que entrava e saía, agora tenho tudo anotado e é excelente para saber aonde vai todo o dinheiro que ganhamos com o suor do nosso trabalho.
Também aprendi várias técnicas de manejo de solo sem adubos químicos e o que mais gostei foi a palestra de como lidar com morango, que é o projeto que pretendo implantar em minha Unidade Familiar Produtiva. Antes queria fazer piscicultura mas conversando com minha família vimos que não teria como fazer, então mudamos para o segundo plano que seria de morango. Então comecei a planejar como fazer.
Outra coisa que aproveitei foram as visitas técnicas que fizemos durante as semanas presenciais, pois assim conhecemos lugares diferentes, o modo de viver de outras pessoas, as formas de cultivo e que muitas vezes podemos adquirir esses modelos para nossa vida, como por exemplo algo diferente que se plante ou até mesmo algum manejo diferente e mais fácil.
Para mim o Cedejor sempre será algo de muita importância. Foi através dele que aprendi a viver de uma maneira diferente, mais fácil - e o mais importante, viver com alegria fazendo o que se gosta, tendo uma renda boa para sobreviver. No decorrer de dois anos de formação me proporcionou conhecer lugares que nunca pensei em conhecer e fazer muitos amigos. É minha outra família que me ensinou a ver o mundo não como um obstáculo para construir algo e sim, como várias oportunidades que devemos ver se realmente compensa, e aproveitar. Aprendi que o mundo não gira em torno de si mesmo, e que se queremos realmente algo precisamos dos outros e - também ajudar os outros.
Teve também momentos de tensões como na elaboração do projeto, foi corrido, tive que sair atrás de informações importantes, necessárias para um projeto. Tentei representar, mas bem no fundo tinha uma ponta de nervosismo, medo de algo dar errado, de faltar alguma coisa, afinal de não conseguir elaborar um bom projeto.
* Por Jovani Puntel