Valdomiro Kurasz é jovem de 25 anos, residente na área rural de Mallet, Paraná. Tem ensino médio, participou no processo de formação no Programa de Empreendedorismo do Jovem Rural no Cedejor e iniciou recentemente o curso Técnico em Agroecologia, oferecido pelo Instituto Federal do Paraná (IFPR), Campus de Irati. Mora com a irmã e os pais Basílio e Olga Kurasz, aposentados e descendentes de ucranianos.
A comunidade de mais de 200 famílias conta com a primeira Igreja ucraniana construída no Brasil, com isso possui ainda culturas tradicionais, como a haiuca, o corovai, comidas típicas como o rolopetí (charuto), pirogue (pastel cozido), borsti (sopa vermelha – feita com repolho, nata e beterraba); e tem uma grande cultura no dia da páscoa, ir benzer cesta de alimento na Igreja da comunidade.
Em meio a esta rica cultura, no meio rural vive a família de Valdomiro. Trabalham em uma área de aproximadamente 24 ha de terra. Quando questionado sobre o que é cultivado na propriedade o jovem “encabulado” nos conta que cultivam só milho, arroz, feijão, erva-mate e produtos de horta (repolho, beterraba, cenoura, mandioca, alface, batata doce, batatinha, rabanete, cebola, vagem, tomate e pepino) para o gasto da família e para outras famílias da comunidade. Também possuem árvores frutíferas, laranja, pêssego, caqui e lima.
Valdomiro é do tipo de agricultor que em primeiro momento aparenta não ter muito que contar. Mera impressão, foi só sair a caminhar pela propriedade que o jovem não para de mostrar o que tem feito e dos planos que quer desenvolver. “Quero fazer muita coisa, mas meus pais são aposentados, tem muita idade e já não podem me ajudar. Então tenho que planejar devagar, controlar os investimentos e principalmente não querer fazer tudo porque realmente não é possível. Um só trabalhando precisa se organizar muito”. Mesmo assim é perceptível o entusiasmo do jovem ao mostrar a propriedade e falar dos planos.
Durante a formação de dois anos no Cedejor “eu avaliei muito para fazer o projeto de maçã Eva. tive uma melhor visão do sistema, tendo palestras, várias visitas a produtores de mação, busquei informações, pesquisei em jornais, revista e fiz estágio na terra da maçã. Pensei várias vezes se isso daria certo, Com o conhecimento adquirido e as parecerias que se mostravam viáveis resolvi investir no negócio e estou satisfeito com a projeção. Passei a fazer parte da Associação de Produtores São José e através dela vou fazer entregas do produto através do programa da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB).” Através do cultivo das maçãs Valdomiro estima aumentar a renda familiar e nos mostrou o lugar onde pretende construir a nova morada da família.
Para conseguir mais recursos o jovem esta diversificando a propriedade para não precisar comprar tudo no mercado e aos poucos quer que sua propriedade sirva de modelo para mobilizar mais pessoas para a atividade de maçã e montar uma associação de fruticultores. Ao ir detalhando sobre suas atividades e planos Valdomiro conta orgulhoso que esta produzindo sem agrotóxico, pois se for para trabalhar com veneno disse que prefere trabalhar de peão na cidade.
O projeto está ligado à biodiversidade devido à implantação de uma área que está rodeada de mata para fazer cordão vegetal e combater o vento. Nesta área de mata esta plantando diversas espécies de frutíferas e mudas de erva mate para aproveitar a terra e obter renda.
Depoimento do jovem
Na véspera de apresentar o Projeto Jovem Empreendedor Rural (PJER) no Cedejor tive muito medo, cheguei a ligar para alguns avaliadores do projeto e desmarcar a apresentação. Com o apoio dos educadores do Cedejor apresentei o projeto e hoje me sinto capaz e animado para continuar me desenvolvendo e melhorando nossa propriedade. Estou satisfeito com minhas iniciativas. O bom é que consegui o apoio dos pais e de várias instituições e órgãos da prefeitura e assistência técnica de meu município, conta entusiasmado o jovem.
* Por Jovani Puntel