Minha Turma
Ao todo foram 16 jovens selecionados para a formação da turma 2 do Cedejor. Esses jovens são de cinco municípios do Território Centro-Sul do Paraná, todos empenhados em conhecer melhor o Cedejor, sua metodologia de alternância, seu currículo, as atividades propostas, conhecer como era o grupo e principalmente seus monitores.
Dentro dessa formação foram realizadas várias ações buscando interagir com as comunidades e com os municípios, mas principalmente com a comunidade de Guamirim onde o Cedejor se situava. Trabalhamos com pesquisas nas comunidades, desenvolvimento de compostagem na escola, atividades com técnicos do território, visitas técnicas dentro de diferentes propriedades entre outros.
Vivenciamos várias atividades de desenvolvimento humano: gêneros, sonhos, diagnóstico das propriedades, reflexões e oportunidades para o fortalecimento do grupo. Sempre com olhar atento nos acontecimentos e nas decisões tomadas. Mesmo assim, tivemos algumas perdas durante as alternâncias. Paramos para refletir o quanto cada jovem contribui para a formação do grupo, e em cada desistência o grupo se fortaleceu, pois cada um de nós sabia do potencial que tem e que pode desenvolver em sua propriedade. Sabíamos da importância de continuarmos sendo responsáveis firmes e guerreiros.
Com as atividades técnicas, humanas, gerenciais e decisões tomadas em família, o grupo começou a se concretizar e com o sonho constante de promover a melhoria do ambiente que nos cerca, as idéias foram se projetando como uma semente que brota com a certeza de dar bons frutos.
Ao longo do tempo passamos a participar de nossas comunidades e dos municípios, começamos participar de reuniões do Conselho Gestor do Território. Antes de entrarmos no Cedejor não tínhamos contatos com os técnicos de EMATER, secretaria de agricultura, SEAB e outras e agora isso tem sido muito bom para nosso desenvolvimento.
Começou assim
Eu sou Everton Antonio dos Anjos, morador na comunidade de Barreiros, no Município de Teixeira Soares/PR. Com o objetivo de trabalhar a diversificação em minha Unidade Familiar optei pela criação de coelho.
O município de Teixeira Soares está entre os 12 municípios do Território Centro-Sul do Paraná, e a atividade de Cunicultura é pouco conhecida nestes municípios. Por não ter criadores e pessoas que pudessem me repassar dados sobre a criação de coelho em grande quantidade, desloquei-me até São José dos Pinhais na propriedade de Simone Rocha do Carmo e Dirceu Alves do Carmo, presidente da Cooperativa Coelho Brasil.
Desde pequeno criei coelho, mas como animal de estimação e em pequena quantidade. Ao concluir o Ensino Médio, acabei me deslocando para cidade visando trabalhar, mas não deixando de gostar do meio rural. Alguns meses antes eu tinha participado da seleção para da Turma 2 do Cedejor. Ao ficar sabendo que tinha sido selecionado, tive que tomar uma decisão se abandonava o emprego recente ou participava do Cedejor. Foi uma decisão que tive que tomar junto com minha família e acabei retornando para o meio rural.
E com a formação do Cedejor tive a oportunidade de iniciar a implantação do projeto. Com o acompanhamento da Equipe e o apoio da minha família estou com meu projeto sendo implantado. Fiz esteprojeto pata ter uma renda mensal para minha família. No começo coloquei como meta produzir 2.300kg no ano, com 100 coelhos ao mês, aumentar a criação no segundo ano para 60 matrizes. Na verdade comecei com duas matrizes e duas gaiolas, mas já cheguei entregar cem coelhos a cada dois meses.
“Para chegar nesses números tive que melhorar e investir quase R$7.000,00. Hoje dedico praticamente todo meu tempo nesta aividade. Meu pai entrega os coelhos na Cooperativa e tenho recebido muita gente que vem visitar nosso trabalho e ficam impressionadas com a atividade que desenvolvemos, pois não é comum aqui. Depois de dez entregas de cem coelhos comecei a ter lucro até para investir em outras atividades, esta valendo a pena”, comemora o jovem.
Os coelhos são vendidos para a Cooperativa Coelho Brasil, localizado em São José dos Pinhais, abatidos e embalados em São Paulo e comercializados nos Estados São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina. Aos poucos estamos melhorando o gado de leite e investindo para ter outras fontes de renda.
Depoimento do jovem
A participação que tive por um ano e meio no Cedejor sem dúvida me auxiliou muito, não só no meu projeto, mas também me fazendo perceber que o trabalho e a vida no campo são muito importantes, pois as coisas que as pessoas necessitam para a sobrevivência são produzidas no meio rural. Durante esse período pude participar de reuniões, palestras e aprendi a conviver no dia-a-dia com jovens que são do meio rural, com histórias de vida diferentes.
Se não fosse a participação do Cedejor, hoje estaria na cidade trabalhando de empregado. Aproveitando as oportunidades, o esforço e a vontade, hoje sou um jovem empreendedor dono do meu próprio negócio.
* Por Jovani Puntel